quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Para saudar o ano novo que se aproxima...

Deixo a todos um poema de João Cabral de Melo Neto, para que inspire o ano que virá, com os mais sinceros votos de felicidade...

Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:ele precisará sempre de outros galos.De um que apanhe esse grito que elee o lance a outro; de um outro galoque apanhe o grito que um galo antese o lance a outro; e de outros galosque com muitos outros galos se cruzemos fios de sol de seus gritos de galo,para que amanha, desde uma teia tênue,se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,se erguendo tenda, onde entrem todos,se entretendo para todos, no toldo(a manhã), que plana livre de armação.A manhã, toldo de um tecido tão aéreoque, tecido, ele eleva por si: luz do balão.

Obra Completa João Cabral de Melo NetoEdição Organizada por Marly de Oliveira com assistência do autorEditora Nova Aguilar – primeira edição, 1994

sábado, 23 de dezembro de 2006

Gabriel García Márquez: ''Estas sinistras festas de Natal''

Há 26 anos, Gabriel García Márquez dizia: ''Ninguém mais se lembra de Deus no Natal''. Segundo o escritor colombiano - que depois se receberia o Prêmio Nobel de Literatura -, há tanto barulho e tantas angústias de dinheiro que ''a gente se pergunta se sobra tempo para celebrar o aniversário de um menino que nasceu há dois mil anos em uma manjedoura miserável''. Leia o artigo do escritor, publicado no jornal espanhol El Pais.

Estas sinistras festas de Natal

Por Gabriel García Márquez

Ninguém mais se lembra de Deus no Natal. Há tanto barulho de cornetas e de fogos de artifício, tantas grinaldas de fogos coloridos, tantos inocentes perus degolados e tantas angústias de dinheiro para se ficar bem acima dos recursos reais de que dispomos que a gente se pergunta se sobra algum tempo para alguém se dar conta de que uma bagunça dessas é para celebrar o aniversário de um menino que nasceu há 2 mil anos em uma manjedoura miserável, a pouca distância de onde havia nascido, uns mil anos antes, o rei Davi.

Cerca de 954 milhões de cristãos - quase 1 bilhão deles, portanto - acreditam que esse menino era Deus encarnado, mas muitos o celebram como se na verdade não acreditassem nisso. Celebram, além disso, muitos milhões que nunca acreditaram, mas que gostam de festas e muitos outros que estariam dispostos a virar o mundo de ponta cabeça para que ninguém continuasse acreditando. Seria interessante averiguar quantos deles acreditam também no fundo de sua alma que o Natal de agora é uma festa abominável e não se atrevem a dizê-lo por um preconceito que já não é religioso, mas social.

O mais grave de tudo é o desastre cultural que estas festas de Natal pervertidas estão causando na América Latina. Antes, quando tínhamos apenas costumes herdados da Espanha, os presépios domésticos eram prodígios de imaginação familiar. O menino Jesus era maior que o boi, as casinhas nas colinas eram maiores que a Virgem e ninguém se fixava em anacronismos: a paisagem de Belém era complementada com um trenzinho de arame, com um pato de pelúcia maior que um leão que nadava no espelho da sala ou com um guarda de trânsito que dirigia um rebanho de cordeiros em uma esquina de Jerusalém.

Por cima de tudo, se colocava uma estrela de papel dourado com uma lâmpada no centro e um raio de seda amarela que deveria indicar aos Reis Magos o caminho da salvação. O resultado era na realidade feio, mas se parecia conosco e claro que era melhor que tantos quadros primitivos mal copiados do alfandegário Rousseau.

''Desilusão''
A mistificação começou com o costume de que os brinquedos não fossem trazidos pelos Reis Magos - como acontece na Espanha, com toda razão -, mas pelo menino Jesus. As crianças dormíamos mais cedo para que os brinquedos nos chegassem logo e éramos felizes ouvindo as mentiras poéticas dos adultos.

No entanto, eu não tinha mais do que cinco anos quando alguém na minha casa decidiu que já era hora de me revelar a verdade. Foi uma desilusão não apenas porque eu acreditava de verdade que era o menino Jesus que trazia os brinquedos, mas também porque teria gostado de continuar acreditando. Além disso, por uma pura lógica de adulto, eu pensei então que os outros mistérios católicos eram inventados pelos pais para entreter aos filhos e fiquei no limbo.

Naquele dia - como diziam os professores jesuítas na escola primária -, eu perdi a inocência, pois descobri que as crianças tampouco eram trazidas pelas cegonhas desde Paris, que é algo que eu ainda gostaria de continuar acreditando para pensar mais no amor e menos na pílula.

Tudo isso mudou nos últimos 30 anos, mediante uma operação comercial de proporções mundiais que é, ao mesmo tempo, uma devastadora agressão cultural. O menino Jesus foi destronado pela Santa Claus dos gringos e dos ingleses, que é o mesmo Papai Noel dos franceses e aos que conhecemos de mais. Chegou-nos com o trenó levado por um alce e o saco carregado de brinquedos sob uma fantástica tempestade de neve.

A má influência americana
Na verdade, este usurpador com nariz de cervejeiro é simplesmente o bom São Nicolau, um santo de quem eu gosto muito e porque é do meu avô o coronel, mas que não tem nada a ver com o Natal e menos ainda com a véspera de Natal tropical da América Latina.

Segundo a lenda nórdica, São Nicolau reconstruiu e reviveu a vários estudantes que haviam sido esquartejados por um urso na neve e por isso era proclamado o patrono das crianças. Mas sua festa é celebrada em 6 de dezembro, e não no dia 25. A lenda se tornou institucional nas províncias germânicas do Norte no final do século 18, junto à árvore dos brinquedos e a pouco mais de cem anos chegou à Grã-Bretanha e à França.

Em seguida, chegou aos Estados Unidos, e estes mandaram a lenda para a América Latina, com toda uma cultura de contrabando: a neve artificial, as velas coloridas, o peru recheado e estes quinze dias de consumismo frenético a que muito poucos nos atrevemos a escapar.

No entanto, talvez o mais sinistro destes Natais de consumo seja a estética miserável que trouxeram com elas: esses cartões postais indigentes, essas cordinhas de luzes coloridas, esses sinos de vidro, essas coroas de flores penduradas nas portas, essas músicas de idiotas que são traduções malfeitas do inglês e tantas outras gloriosas asneiras para as quais nem sequer valia a pena ter sido inventada a eletricidade.

Tiros no Natal
Tudo isso em torno da festa mais espantosa do ano. Uma noite infernal em que as crianças não podem dormir com a casa cheia de bêbados que erram de porta buscando onde desaguar ou perseguindo a esposa de outro que acidentalmente teve a sorte de ficar dormido na sala.

Mentira: não é uma noite de paz e amor, mas o contrário. É a ocasião solene das pessoas de quem não gostamos. A oportunidade providencial de sair finalmente dos compromissos adiados porque indesejáveis: o convite ao pobre cego que ninguém convida, à prima Isabel que ficou viúva há 15 anos, à avó paralítica que ninguém se atreve a exibir.

É a alegria por decreto, o carinho por piedade, o momento de dar presente porque nos dão presentes e de chorar em público sem dar explicações. É a hora feliz de que os convidados bebam tudo o que sobrou do Natal anterior: o creme de menta, o licor de chocolate, o vinho passado.

Não é raro, como aconteceu freqüentemente, que a festa acabe a tiros. Nem tampouco é raro que as crianças - vendo tantas coisas atrozes - terminem acreditando de verdade que o menino Jesus não nasceu em Belém, mas nos Estados Unidos.
Agência Carta Maior

O papel histórico da UNE na reforma universitária

Leia o artigo de Márcio Pereira Cabral, membro da executiva da União Nacional dos Estudantes (UNE). Com o título "Refazendo e aprendendo com a nossa história", o texto analisa o papel decisivo que a entidade cumpriu durante os debates para a reforma universitária.
Refazendo e aprendendo com a nossa história

Por Márcio Pereira Cabral*

Se não há país "onde a opinião se divida em maior número de cores, e se não se encontra teoria que entre nós não tenha adeptos", segundo já observou Alberto Torres, princípios e idéias não passam, entre nós, de "bandeira de discussão, ornatos de polêmica ou simples meio de êxito pessoal ou político". Ilustrados, às vezes, e eruditos, mas raramente cultos, não assimilamos bastante as idéias para se tornarem um núcleo de convicções ou um sistema de doutrina, capaz de nos impelir à ação em que costumam desencadear-se aqueles "que pensaram sua vida e viveram seu pensamento".

A interpenetração profunda que já se estabeleceu, em esforços constantes, entre as nossas idéias e convicções e a nossa vida de educadores, em qualquer setor ou linha de ataque em que tivemos de desenvolver a nossa atividade já denuncia, porém, a fidelidade e o vigor com que caminhamos para a obra de reconstrução educacional, sem estadear a segurança de um triunfo fácil, mas com a serena confiança na vitória definitiva de nossos ideais de educação.

Em lugar dessas reformas parciais, que se sucederam, na sua quase totalidade, na estreiteza crônica de tentativas empíricas, o nosso programa concretiza uma nova política educacional, que nos preparará, por etapas, a grande reforma, em que palpitará, com o ritmo acelerado dos organismos novos, o músculo central da estrutura política e social da nação

(Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, 1932)

O final da década 50 foi marcado por um forte debate educacional no Brasil, o que era uma conseqüência natural para o período, pois a educação pública brasileira somente havia sido implantada enquanto sistema nacional e de caráter público no período do Estado Novo (pós-Revolução de 30).

Duas concepções se confrontaram durante todo este período: a defesa da educação pública e gratuita como atribuição exclusiva do Estado para garanti-la (com origem nos Pioneiros da Nova Escola - ABE), contra a concepção da concessão pública que garantia a presença dos setores privados (principalmente religiosos) no ensino superior brasileiro da época (organizados pela AEC).

Para isso, era necessário, neste período, reformar o sistema educacional que ainda permanecia sob a concepção da LDB de 1948 que contava com forte influência da Nova Escola.

A UNENo início dos anos 60, o Brasil vivia a renúncia de Jânio Quadros, e a campanha da legalidade tratou de garantir a posse do vice-presidente eleito, João Goulart. Neste mesmo período, os estudantes, através da UNE, retomavam um papel protagonista na política brasileira. Logo empossado, o discurso do governo, mesmo sob o controle do regime parlamentarista, era por aprofundar as reformas capazes de impulsionar o desenvolvimento nacional. Lógico que a educação entrou na pauta central das reformas de base.

Mesmo retomada para o campo progressista, a UNE ainda não havia compreendido o seu papel no questionamento de qual projeto educacional seria capaz de impulsionar a expansão do ensino superior brasileiro e também não compreendia ainda qual era a real correlação de forças nesta disputa de projetos. Enquanto isso, no Congresso Nacional tramitava uma nova LDB, impulsionada por uma forte mobilização de setores da Sociedade Civil defensores do ensino privado.

Carlos Lacerda foi o responsável por apresentar um substitutivo ao projeto do Conselho Nacional de Educação e também se colocou como o principal articulador no Congresso dos interesses dos setores privados, forçando assim uma forte oposição ao projeto do CNE. Este substitutivo foi aprovado em janeiro de 1960 e em agosto de 1961 no Senado, que, embora o tenha alterado bastante na sua forma, ainda manteve a concessão pública para a exploração privada do ensino brasileiro.

DecepçãoLembrando que nesse período o presidente era João Goulart, mas o regime era parlamentarista, as forças progressistas não tiveram poderes para vetar os artigos da LDB que atacavam o ensino público. Assim, João Goulart não pôde concretizar o seu compromisso assumido perante as forças que garantiram sua posse (inclusive a própria UNE) de modificar a redação final da LDB de 1961.

Isso gerou uma forte decepção por parte do movimento estudantil. Foi redigida uma nota, assinada por Aldo Arantes, então presidente da UNE, e aprovada em um Coneg, repudiando o sancionamento da lei por conter um caráter fortemente privatista. A partir disto, surge no interior da UNE o debate da necessidade de uma reforma universitária para o Brasil.

O governo - que via a necessidade de uma forte mobilização social para retomar o controle sobre o Estado, acabando com o regime parlamentarista - passou a estimular os setores organizados a defenderem bandeiras democráticas e que propiciassem reformas profundas no Estado brasileiro.

DescompassoMas o movimento estudantil parecia estar mais interessado em articular suas bandeiras mais corporativas. Passou a adotar como estratégia a defesa da paridade nos órgão colegiados das IES, abandonando o diálogo com o governo. Assim surge a greve do 1/3, que a UNE passou a adotar como estratégia para acumular forças para impulsionar as mudanças.

A LDB voltou a ser tema de discussão pelos setores educacionais. Os estudantes não aceitavam as concessões que o governo havia dado aos setores privatistas como estratégia para retomar a sua legitimidade. Assim os estudantes passaram a defender que a participação ativa das representações estudantis no interior das universidades seria o instrumento capaz de impulsionar uma reforma por dentro do sistema educacional, fugindo assim do dialogo com o governo e com o Congresso Nacional.

Para isso, era necessário modificar o artigo 78 da LDB, segundo o qual cada IES determinaria a forma da representação dos setores organizados no interior de cada instituição. Os estudantes temiam que os estatutos destas universidades pudessem vetar a sua participação e, assim, surge com força o movimento pela mudança do artigo 78, onde a UNE passa a ser a principal referência na disputa por mudanças na educação superior brasileira.

A estratégia foi dar um ultimato ao governo para que, no dia 1º de junho de 1963, o Conselho Nacional de Educação (CNE) enviasse ao Congresso a mudança da LDB. Do contrário, os estudantes decretariam greve estudantil em todas as universidades até que a LDB fosse modificada. Lógico que o CNE não atendeu o ultimato dos estudantes, e a greve passou a ser organizada por todo o país.

Uma greve amplaA mobilização promovida pela UNE conseguiu atingir a maioria das universidades brasileiras e estendeu-se até meados de agosto, e mesmo assim as reivindicações da UNE não foram atendidas pelo governo. "Durante esses quase três meses, na mais longa greve nacional de estudantes no Brasil, realizaram-se numerosas assembléias e seminários locais sobre a reforma universitária, lançaram-se manifestos e chegou-se a ocupar a sede do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, de onde os manifestantes foram expulsos pela policia do exército." [1]

Nestes seminários, os debates passaram a aprofundar a necessidade de uma reforma mais ampla, para além das mudanças na LDB. Eram imprescindíveis "destronar as torres de marfim" instituídas pelas cátedras e democratizar internamente as universidades para que elas pudessem cumprir um papel central nas mudanças mais profundas do Estado brasileiro. Sendo assim, os estudantes saem da passividade e incorporam um espírito crítico e mobilizador para que as mudanças de fato ocorressem.

O governo viu-se em uma situação constrangedora, pois tentava conciliar interesses inconciliáveis, e também não poderia romper a sua relação com a UNE estabelecida na campanha da Legalidade. Logo, tratou de enviar ao Congresso algumas modificações possíveis na LDB que levassem os estudantes a retrocederem da sua posição de greve.

Mas a resposta da direita veio na forma de combater veementemente a postura do governo de atender reivindicações de estudantes "baderneiros e provocadores de desordem", portanto não aceitaram a retomada do debate sobre a LDB de 1961. O argumento central era baseado na incapacidade de jovens, com pouca vivência acadêmica, de intervirem em assuntos estratégicos como a educação superior.

O governo e os estudantesSendo assim, o Conselho Nacional de Educação, que praticamente passou a ser um palco de intensos e acalorados debates, tratou de tomar uma posição conciliatória, criando dispositivos limitadores para a participação dos estudantes nas decisões internas das IES.

Como a pauta da UNE não havia sido atendida, logo a greve do 1/3 começou a perder força e a UNE suspendeu as mobilizações. Derrotada e desacredita por parte de sua base, a UNE ainda viu criar-se no país um clima de um possível golpe para acabar com o poder de João Goulart. Sob conseqüência do fracasso da greve, o movimento estudantil começa a perder um centro de ação, o que poderia provocar um período de imobilismo e descrédito.

A UNE convocou um Seminário Nacional de Reforma Universitária em Belo Horizonte, que aprovou uma inflexão e um amadurecimento na tática a ser adotada pelo movimento estudantil. Para obter conquistas reais, a entidade deveria evitar o enfrentamento direto contra as forças conservadoras e hegemônicas, sendo necessário criar canais de diálogos que propiciassem conquistas pontuais e que dariam condições para que mudanças no sistema de ensino pudessem ser conquistadas gradativamente.

Assim, a UNE volta-se para a criação de um maior diálogo com o poder legislativo a quem encaminharam projetos de emendas à Constituição e à LDB. Essas emendas estavam articuladas aos projetos de reforma universitária propostos pela entidade, embora a UNE soubesse do caráter tático e parcial das alterações pretendidas. O centro das reivindicações eram a democratização da universidade, sendo o seu principal fundamento o acesso (aumento de vagas) e a democratização interna das IES.

Novo focoLogo em seguida ocorre o golpe militar de 1964, e o movimento pela reforma passa a ser secundarizado pela UNE em detrimento da luta contra a ditadura. A reforma universitária só passaria a ser uma pauta forte do movimento estudantil no período da reconstrução da UNE e tem se estendido até os dias de hoje.

Como o movimento estudantil tem levado esse debate por décadas, algumas conquistas foram realizadas em todos esses anos, como a criação de novas universidades públicas e a livre organização estudantil, conquistada em 1985. Outras várias derrotas sofremos, principalmente na década de 90, com a retomada do projeto privatista com muito mais fôlego no Brasil.

Mas o que não perdemos foi o fato de nunca mais ficarmos isolados e enfraquecidos no debate educacional, não perdendo assim a capacidade de diálogo - e de obter conquistas pontuais que possam possibilitar uma universidade verdadeiramente democrática e popular num futuro próximo.

Essa tática elaborada pela geração de estudantes da década de 60, a qual tem sido sempre mencionada como referência nas lutas estudantis, inclusive por setores contrários ao projeto da reforma do atual governo, ainda permanece sendo o principal motivo que nos leva a não desistir da aprovação de pontos importantes no atual projeto de lei 7200/2006 e na possibilidade de ainda vencermos esta discussão no Congresso Nacional.

ProtagonismoA UNE de hoje permanece honrando o seu passado e reforçando assim o seu papel protagonista pela conquista de uma verdadeira reforma universitária para o Brasil.

O ano de 2007 promete grandes batalhas, e a UNE já precisa ligar os seus motores e impulsionar a 2ª Caravana da Reforma, capaz de ampliar os nossos esforços na aprovação e disputa de uma reforma mais profunda e comprometida com um projeto estratégico de nação.

* Márcio Pereira Cabral é diretor de Políticas Educacionais da UNE

domingo, 17 de dezembro de 2006

UNE critica reajuste dos parlamentares

Em nota, UNE critica reajuste dos parlamentares

A UNE (União Nacional dos Estudantes) também criticou a decisão dos parlamentares de reajustarem os salários de senadores e deputados em 90,7% a partir de fevereiro de 2007. Com isso, a remuneração mensal da categoria passará de R$ 12.847,20 para R$ 24.500. Em nota, o presidente da UNE, Gustavo Petta, diz que o aumento é "inaceitável".
Confira abaixo a nota da entidade:

Foi com indignação que a União Nacional dos Estudantes (UNE) recebeu a notícia do reajuste dos salários dos deputados e senadores anunciado nesta quinta-feira (14).

Os estudantes consideram inaceitável o aumento, de 90,7%, elevando os rendimentos dos parlamentares de R$ 12,847,20 para R$ 24.500. Diante da realidade do país, no qual o salário mínimo hoje vigente é de R$ 350, o reajuste dos deputados e senadores é absurdamente desproporcional.

Para se ter uma idéia do tamanho da disparidade, as centrais sindicais negociam um reajuste que eleve o salário mínimo dos atuais R$ 350 para R$ 420 - aumento de apenas 20%. Do outro lado, porém, o Congresso Nacional defende um mínimo de R$ 375, enquanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenta negociar o valor de R$ 367.

A UNE desafia esses mesmos parlamentares que aprovaram os seus próprios reajustes salariais a conceder tal aumento, de mais de 90%, ao minguado salário mínimo que sustenta boa parcela do povo brasileiro.

Na próxima segunda e terça-feira (18 e 19/12), a diretoria plena da UNE vai se reunir em São Paulo e tomará medidas no sentido de pressionar os deputados e senadores a reverter o excessivo reajuste.

Como entidade máxima de representação dos estudantes brasileiros, a UNE se torna porta voz do descontentamento não só da juventude, mas de toda a população, que tem revelado enorme indignação diante da decisão tomada pelos parlamentares.

15 de dezembro de 2006 União Nacional dos Estudantes

sábado, 9 de dezembro de 2006

UJS mantém diretores no DANMA/UDESC Joinville

A Chapa Reintegração, composta por integrantes da UJS e independentes, venceu com esmagadora votação, as eleições para o DANMA (Diretório Acadêmico Nove de Março) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), sediado no campus de Joinville.
A eleição foi marcada pela polarização de idéias e projetos, que gerou grande mobilização acadêmica em defesa da Universidade Pública.


Confira o resultado da votação:

Chapa Reintegração (UJS e Independentes): 511 votos (69,25%)
I9 (Juventude PMDB): 171 votos (23,17%)
Por um DANMA independente e de luta: 56 votos (7,58%)



De George Medeiros Araújo Júnior

UJS entra em nova fase em SC


A União da Juventude Socialista (UJS) de Santa Catarina realizou no dia 19/11 sua plenária estadual e entrou em nova fase de sua organização. Com a participação de jovens socialistas de várias regiões do estado a plenária da UJS deliberou sobre um plano de metas e reorganizou a direção da entidade. O novo presidente da UJS/SC é o acadêmico de economia da UFSC, João Braga.

O acadêmico de economia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e diretor da União Catarinense dos Estudantes (UCE) João de Deus Soares Braga assumiu a presidência da UJS no estado de Santa Catarina.

Após o afastamento, por motivo de saúde, de Diego Selau da presidência da entidade e da curta presença em exercício na presidência do vice-presidente da entidade, Tiago Andrino, a plenária da UJS considerou que o lider estudantil João Braga deveria ocupar a presidência devido a dificuldade de Tiago Andrino em conciliar os trabalhos a frente do movimento estudantil, pois Tiago é o presidente da UCE.

A direção estadual executiva da UJS em Santa Catarina ficou composta da seguinte forma: João Braga na presidência; Tiago Andrino na vice; Ticiana Alvares (Titi) que é diretora da UNE, acumula as funções na organização e as tarefas na frente estudantil universitária, integrada ainda pelo acadêmico Felipe Schimidt; Vanderson Rodermel na comunicação; Gustavo Chraim (Buda) na formação; André Costa na tesouraria e o estudante de itajaí, Felipinho (Pirulito) acompanha o movimento estudantil secundarista.

Segundo João Braga, a plenária estadual da UJS debateu com enfase a organização da entidade no estado. Foi traçado um plano de metas para a construção da entidade em onze cidades catarinenses, com destaque para a reorganização das direções municipais.

Na frente estudantil, onde a UJS intensifica seu trabalho político, está colocado o desafio de deslocar mais de 300 estudantes à Bienal de Cultura e Arte da UNE, que ocorre no Rio de Janeiro no final do mês de Janeiro de 2007. Após o evento da UNE a UJS realiza a tradicional Plenária Nacional Universitária que prepara a entidade para os congressos estudantis.

"Nosso objetivo sem dúvidas e assegurar a presença a frente da UCE e da UNE", destaca João Braga. Também há um empenho no sentido de trazer à Santa Catarina a próxima Bienal de Arte e Cultura da UNE. João Braga assume a presidência da UJS num momento decisivo para a entidade. É um jovem experiente e compõe o Comitê Estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Em breve a direção do PCdoB espera reunir-se com a direção da UJS para avaliar a atuação da entidade. O dirigente Volnei Rosalen é o Secretário de Juventude do Partido e acompanha a atuação dos jovens comunistas à frente da UJS em Santa Catarina.


De Florianópolis
Vinícius Puhl para o vermelho