Reunida em São Paulo na última quinta-feira (9), a diretoria executiva da UNE definiu uma série de prioridades para os próximos meses. Entre os principais assuntos da pauta, o posicionamento da entidade na disputa pelos rumos da política econômica, a mobilização dos estudantes na campanha "Nosso futuro não está em liquidação", e os preparativos finais para a 5ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura.
Também foram aprovadas moções de solidariedade ao jornalista e professor Emir Sader, que está sendo processado pelo senador Jorge Borhaussen; e de apoio à greve dos médicos residentes, que paralisaram os serviços por tempo indeterminado para cobrar reajustes das bolsas e melhores condições de trabalho.
Mudanças na política econômica
Esse foi o primeiro encontro após a eleição e serviu para que a entidade avaliasse o resultado das urnas e as perspectivas para o segundo mandato. Com as discussões girando em torno da formação de um novo cenário político, o tom da reunião se pautou principalmente sobre de que forma a UNE, ao lado do conjunto dos movimentos sociais, deve interferir no debate em relação a agenda econômica do novo governo.
Os diretores aprovaram uma resolução em que a entidade faz duras críticas à política econômica e cobra um rompimento com a ortodoxia do Banco Central. Segundo o documento, o conservadorismo do BC impede o desenvolvimento do país com a imposição de uma agenda de juros altos, arrocho fiscal e superávit. O texto cobra ainda um crescimento ousado de 6% ao ano e mais investimentos em setores estratégicos, como a área da Ciência e Tecnologia. (
Leia o texto)
Para o presidente da UNE, Gustavo Petta, é necessário os estudantes somarem forças e organizados interferirem no processo de mudança da política econômica. "Sabemos que a pressão e a chantagem do capital financeiro é enorme, mas sabemos também que a pressão dos movimentos sociais, dos intelectuais e de setores do capital produtivo pode criar canais para que se possibilite transformações", avalia.
Dia 4/12 – Ato pelo desenvolvimento nacional
Para ampliar esse movimento a favor de mudanças, foi aprovada também uma manifestação, que será realizada no dia 4 de dezembro. Numa espécie de aula pública, marcada a princípio para acontecer no Largo São Francisco, em São Paulo, a UNE vai convidar alguns intelectuais que defendem idéias desenvolvimentistas no campo econômico, como Emir Sader, Maria Victória Benevides, Marilena Chauí, Marcio Pochman e Mangabeira Unger.
"O objetivo é que façamos um rico debate envolvendo pensamentos diferentes, mas que tenham em comum a opinião de que é preciso romper com a agenda econômica levada adiante pelo tucanato que ainda dita algumas regras dentro do BC", explica Petta.
Campanha "Nosso futuro não está em liquidação"

Outro assunto pautado pela reunião foi o calendário da campanha contra os abusos das mensalidades e pela aprovação do Projeto de Lei 6489/06 (conhecido como PL da UNE) que visa implementar medidas de controle e de fiscalização dos reajutes.
De 21 a 23 de novembro, a UNE fará uma "blitz" em Brasília. Os diretores da entidade vão passar nas salas de aula das principais universidades, divulgando a campanha e alertando para os aumentos realizados nesse período de férias escolares. Depois, vão ao Congresso Nacional pressionar os deputados e senadores para que a tramitação do PL da UNE seja acelerada.
Alguns estados já estão se organizando para os lançamentos regionais. A União dos Estudantes de Pernambuco (UEP) fará uma jornada de lutas no dia 14/11. No Rio Grande do Sul, o DCE da Universidade de Caxias do Sul promoverá atividade nos dias 17 e 18/11. Já No Rio de Janeiro, a UNE participa do I Fórum da Educação Superior, promovido pelo Sindicato dos Professores (Sinrpo-RJ), em parceria com a Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (FETEERJ).
5ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UNE

Sobre o maior festival universitário do país, o informe veio do diretor de cultura da entidade, Gustavo Viana. Ele disse que a secretaria da Bienal, instalada no DCE da UFRJ, está em pleno funcionamento e que a fase atual é de preparativos finais e acertos da programação. "Estamos definindo os debatedores, oficineiros e shows, sempre com intuito de aprofundar a discussão do tema "Brasil-África: um Rio chamado Atlântico", que estamos propondo nesta quinta edição", informou.
As inscrições para a 5ª Bienal da UNE estão abertas até o dia 4 de dezembro de 2006. Podem se inscrever estudantes universitários de todo o país interessados em apresentar trabalhos nas áreas de Literatura, Ciência e Tecnologia, Música, Artes Ciências, Arte Visuais e Cinema e Vídeo. Para saber como participar,
clique aqui.
Veja abaixo as moções aprovadas na reunião da diretoria executiva da UNE
Moção de solidariedade ao professor Emir SaderA UNE manifesta seu total apoio ao professo Emir Sader frente ao ataque promovido pela direita mais retrógrada desse país. O professor Emir Sader está sofrendo um processo por conta de idéias que defende em seus artigos. A mesma direita que cassou a democracia no Brasil, perseguiu e matou muitas lutadoras e lutadores, que vendeu todo o patrimônio nacional e que não se conforma por ver se construindo no país um projeto democrático e popular quer agora calar uma das mais destacadas vozes da "raça" que eles sonharam se ver livres por "30 anos".
Essa direita proto-facista conseguiu o que nem a ditadura foi capaz: além de cassar os direitos políticos, estão impedindo um cidadão de exercer sua profissão. Precisamos nos somar a indignação contra essa condenação política inconcebível num país democrático. Sabemos que esse é apenas o primeiro passo. Se for vitoriosa nesse processo, a direita antidemocrática não vai parar ai, vai atacar também outros intelectuais, os partidos de esquerda, os movimentos sociais, etc. Aliás, na mesma época em que o senador-ditador proferiu o desejo de ser ver "livre dessa raça por 30 anos" toda a esquerda nesse país sofreu diversos ataques, como o MST sendo acusado de "crimes hediondos" por uma CPI, a UNE sendo caluniada por uma mídia atrelada à direita, etc.
Os Estudantes Brasileiros não tem dúvida em gritar para essa Direita "aloprada": Não Passaram! Toda a Solidariedade ao Professor Emir Sader!
Moção de Apoio à greve dos médicos residentesReclamando o fato de que são estudantes e não mão obra barata, milhares de médicos residentes estão aderindo à paralisação nacional da categoria que teve início na última quarta, 8 de novembro. As reivindicações dos residentes são reajuste salarial, redução da jornada de até 100 horas por semana e a regulamentação da residência médica. A UNE presta apoio à paralisação dos médicos residentes, que estão no seu pleno direito de reivindicar aumento na bolsa, que não acontece há cinco anos, e melhores condições de trabalho.
Moção de repudio à perseguição política ao movimento estudantil na Faculdade Jorge AmadoEm nota emitida no dia 23 de outubro de 2006, a direção das Faculdades Jorge Amado (FJA) notificou um ex-estudante a "se abster de comparecer à instituição", acusando-o de "praticar atos de perturbação da ordem".
A nota em questão faz menção às legítimas manifestações organizadas pelo movimento estudantil das FJA, entre 19 e 21 de setembro de 2006, através das quais reivindicava, entre outras coisas, a não-demissão de professores que haviam sido demitidos dias antes, vítimas de perseguição política.
A UNE repudia a tentativa da direção das FJA de constranger e ameaçar os estudantes e ex-estudantes das FJA, e declara seu apoio às justas reivindicações e às lutas do movimento estudantil dessa instituição.
Moção de solidariedade ao diretor da UNE Rafael PiresFace ao processo de crime contra o patrimônio público aberto pela Sttrans (João Pessoa/PB) contra o diretor da UNE Rafael Pires, a UNE declara sua solidariedade a ele e reivindica o imediato arquivamento do processo.
A UNE reconhece a manifestação contra o aumento de passagens ocorrida em 2005, da qual seu diretor participou, e repudia a tentativa de perseguição política contra ele, na forma deste absurdo processo.
Moção contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo A imprensa vem divulgando que as tarifas do sistema de transporte público vão aumentar. Por acreditar que o transporte público é um direito básico para o livre deslocamento da população, a UNE manifesta ser contraria ao aumento da passagem.
Nesse sentido, para dar conseqüência política a essa moção, a UNE se alia aos comitês organizados pelos MPL´s de São Paulo e ABC-paulista, UMES, UEE-SP, UPES e UBES na luta contra o aumento da passagem.
Moção pela reorganização do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública e pela realização do VI Congresso Nacional de Educação (Coned), no primeiro semestre de 2008
Em 2011, o Plano Nacional de Educação (PNE) deve expirar. Um novo PNE deve ser discutido, elaborado e aprovado. Esse processo demanda tempo e devera se iniciar já em 2007. Do mesmo modo, outras iniciativas de políticas educacionais devem voltar ao centro dos debates nos próximos meses, tais como a reforma universitária, a implementação das cotas nas universidades federais, dentre outros, e o cenário e de profunda indefinição.
Ciente da necessidade de reorganizar o movimento social de educação em prol da luta em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade como um direito de todos e um dever do estado, a UNE se dirige a todas as entidades que compõem o Fórum Nacional em Defesa da Escola Publica (Fondep) no sentido de reorganizar este importante espaço.
No mesmo sentido, a UNE propõe a realização do VI Congresso Nacional de Educação (Coned), no primeiro semestre de 2008, a fim de atualizar e consolidar o Plano Nacional de Educaçao – proposta da sociedade brasileira.
Moção de apoio aos técnicos da UnicampA UNE apóia a luta dos trabalhadores técnicos da Unicamp contratados via Funcamp, ameaçados de demissão pela Reitoria da Unicamp em virtude da nulidade dos contratos de trabalho:- Contra qualquer demissão!- Em defesa dos postos de trabalho.- Pelo fim imediato das contratações via Funcamp.- Pela abertura de concurso públicoMoção de saudação ao CA da UNP-RNA UNE, reunida em sua diretoria Executiva, saúda a nova gestão do Centro Acadêmico de Direito da UNP-RN, e deseja que o alto grau de participação estudantil no processo eleitoral de 1400 votantes seja traduzido em participação e luta por um mundo mais justo. Principalmente, a UNE se coloca como parceira da luta dos estudantes do Rio Grande do Norte.
Da Redação do vermelho - www.vermelho.org.br