quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Aconteceu em 30 Novembro...


Roubei a idéia da Luciana...

em homenagem as recentes vitórias nos diretórios da univille e da udesc...

Lembrar é resistir!

Figueiredo, no centro do conflito

1979 - Dia da Novembrada


O general Figueiredo, fazendo outro uso de sua política de "mão estendida", responde com banana a protesto estudantil em Florianópolis. Segue-se batalha de 6 h com a PM, a Novembrada. Presos e processados 5 estudantes. A popularidade do governo cai brusca e irremediavelmente.

fonte? vermelho hoje

UNE promove Ato Nacional por Mudanças na Política Econômica

A política econômica adotada pelo governo Lula será alvo de críticas durante ato público organizado pela UNE, na próxima segunda-feira (4/12). A entidade estudantil convidou personalidades do cenário político brasileiro para um debate que será realizado na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em São Paulo. A entrada é livre.
São presenças confirmadas o presidente da UNE, Gustavo Petta; o economista e ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa; o sociólogo e secretário executivo da Clacso (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais), Emir Sader; o economista e professor da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzo; e o também economista e professor da FGV e da USP, Paulo Nogueira Batista. Ubes, CUT e MST mandarão representantes.

O objetivo é reunir intelectuais que defendam idéias progressistas no campo econômico. Com as discussões girando em torno da formação de um novo cenário político no país, o tom dos debates vai se pautar principalmente sobre de que forma a UNE, ao lado do conjunto dos movimentos sociais, deve interferir no debate em relação a agenda econômica do novo governo.

Para o presidente da UNE, Gustavo Petta, é necessário que os estudantes somem forças e, organizados, interferirem no processo de mudança da política econômica. "Sabemos que a pressão e a chantagem do capital financeiro é enorme, mas sabemos também que a pressão dos movimentos sociais, dos intelectuais e de setores do capital produtivo pode criar canais para que se possibilite transformações", avalia.

"Fora, Meirelles!"De acordo com Petta, a UNE fará duras críticas à política econômica e vai cobrar um rompimento com a ortodoxia do Banco Central (BC). O conservadorismo da instituição durante o primeiro mandato do governo Lula impediu um maior desenvolvimento do país com a imposição de uma agenda de juros altos, arrocho fiscal e superávit.

"Os movimentos sociais, aliados aos intelectuais que querem uma mudança radical na economia, não concordam com a política implementada pela equipe do Henrique Meirelles", enfatiza Petta. "Nós queremos que o Lula mude a direção do BC colocando quadros mais comprometidos com o desenvolvimento. Queremos a troca do presidente do BC para que o Brasil possa enfim começar a crescer.

Sobre o debate com os intelectuais, o presidente da UNE diz que a idéia é promover uma discussão envolvendo pensamentos diferentes. "Mas o que queremos é unificar essas opiniões de quem acredita ser necessário romper com a agenda econômica levada adiante pelo tucanato que ainda dita algumas regras dentro do BC", diz. "Enquanto não mudar a política econômica, as políticas sociais, como a reforma agrária, a saúde e a educação para o povo, não vão andar", completa.

Estudantenet

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

DANIEL ORTEGA É ELEITO PRESIDENTE DA NICARÁGUA



Daniel Ortega é o novo presidente da Nicarágua (mais uma derrota para os Estados Unidos e George Bush). O Tribunal Eleitoral nicaragüense reconheceu a vitória de Ortega mesmo faltando aproximadamente 10% dos votos a serem apurados, com uma margem de frente que não permite mais o segundo colocado e candidato da direita, Eduardo Montealegre, alcança-lo.

Desde 1965 Ortega é da Direç ão da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e teve participação na organização das operações de guerrilha contra o regime de Anastasio Somoza Debayle. Na Junta do Governo de Reconstrução Nacional, assumiu os cargos de coordenador, de chefe do Governo e de ministro da Defesa. Em 1984, foi eleito presidente da República numa eleição conturbada. No ano seguinte, foi também nomeado presidente da FSLN. Procurou modernizar as infra-estruturas do país com suas idéias socialistas, assim como aumentar o nível socioeconômico e cultural de seu povo. Mas o sucesso foi limitado, devido ao boicote econômico decretado pelos Estados Unidos e pela oposição anti-sandinista. O país ficou à beira da asfixia econômica.
Dois meses antes das eleições, Daniel Ortega se encontrou com a UNE na sede da Organizaç ã o Continental Latino-Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE) em Havana, e saudou os estudantes brasileiros por ocasi ã o do aniversário de 69 anos da UNE e 40 anos da OCLAE. Na oportunidade se disp ô s a visitar a UNE quando for ao Brasil (de prefer ê ncia no próximo ano e na Bienal) em apreço a combatividade e politizaç ã o do movimento estudantil brasileiro em compreender que está ocorrendo uma nova orquestraç ã o política progressista na América Latina, ou seja, de que uma outra América está em marcha.
Ortega lembrou na ocasião que durante o seu governo os estudantes de toda a América Latina e do Brasil - com a OCLAE, a UNE e outras entidades estudantis à frente -, sempre protestaram contra a política intervencionista dos EUA que por sua vez patrocinaram uma verdadeira intervenç ã o na Nicarágua, culminando com a eleiç ã o de Violeta Chamorro em 1992. Daniel reafirmou que a luta anti-imperialista levada a cabo pelos estudantes é algo muito importante para a integraç ã o latino-americana e desenvolvimento soberano dos países como o que almeja para a Nicarágua.
A UJS saúda o novo presidente do povo irmão da Nicarágua, eleito pelo desejo popular de mudança e que se soma à onda progressista da integração latino-americana. Esperamos que Brasil e Nicarágua possam se dar as mãos, fortalecendo as relações e abrindo caminho para um futuro mais justo de solidariedade e esperança.

fonte: ujs.org.br

domingo, 12 de novembro de 2006

UNE aprova resolução que cobra mudanças na economia

Reunida em São Paulo na última quinta-feira (9), a diretoria executiva da UNE definiu uma série de prioridades para os próximos meses. Entre os principais assuntos da pauta, o posicionamento da entidade na disputa pelos rumos da política econômica, a mobilização dos estudantes na campanha "Nosso futuro não está em liquidação", e os preparativos finais para a 5ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura.

Também foram aprovadas moções de solidariedade ao jornalista e professor Emir Sader, que está sendo processado pelo senador Jorge Borhaussen; e de apoio à greve dos médicos residentes, que paralisaram os serviços por tempo indeterminado para cobrar reajustes das bolsas e melhores condições de trabalho.

Mudanças na política econômica
Esse foi o primeiro encontro após a eleição e serviu para que a entidade avaliasse o resultado das urnas e as perspectivas para o segundo mandato. Com as discussões girando em torno da formação de um novo cenário político, o tom da reunião se pautou principalmente sobre de que forma a UNE, ao lado do conjunto dos movimentos sociais, deve interferir no debate em relação a agenda econômica do novo governo.

Os diretores aprovaram uma resolução em que a entidade faz duras críticas à política econômica e cobra um rompimento com a ortodoxia do Banco Central. Segundo o documento, o conservadorismo do BC impede o desenvolvimento do país com a imposição de uma agenda de juros altos, arrocho fiscal e superávit. O texto cobra ainda um crescimento ousado de 6% ao ano e mais investimentos em setores estratégicos, como a área da Ciência e Tecnologia. (Leia o texto)

Para o presidente da UNE, Gustavo Petta, é necessário os estudantes somarem forças e organizados interferirem no processo de mudança da política econômica. "Sabemos que a pressão e a chantagem do capital financeiro é enorme, mas sabemos também que a pressão dos movimentos sociais, dos intelectuais e de setores do capital produtivo pode criar canais para que se possibilite transformações", avalia.

Dia 4/12 – Ato pelo desenvolvimento nacional

Para ampliar esse movimento a favor de mudanças, foi aprovada também uma manifestação, que será realizada no dia 4 de dezembro. Numa espécie de aula pública, marcada a princípio para acontecer no Largo São Francisco, em São Paulo, a UNE vai convidar alguns intelectuais que defendem idéias desenvolvimentistas no campo econômico, como Emir Sader, Maria Victória Benevides, Marilena Chauí, Marcio Pochman e Mangabeira Unger.

"O objetivo é que façamos um rico debate envolvendo pensamentos diferentes, mas que tenham em comum a opinião de que é preciso romper com a agenda econômica levada adiante pelo tucanato que ainda dita algumas regras dentro do BC", explica Petta.

Campanha "Nosso futuro não está em liquidação"

Outro assunto pautado pela reunião foi o calendário da campanha contra os abusos das mensalidades e pela aprovação do Projeto de Lei 6489/06 (conhecido como PL da UNE) que visa implementar medidas de controle e de fiscalização dos reajutes.

De 21 a 23 de novembro, a UNE fará uma "blitz" em Brasília. Os diretores da entidade vão passar nas salas de aula das principais universidades, divulgando a campanha e alertando para os aumentos realizados nesse período de férias escolares. Depois, vão ao Congresso Nacional pressionar os deputados e senadores para que a tramitação do PL da UNE seja acelerada.

Alguns estados já estão se organizando para os lançamentos regionais. A União dos Estudantes de Pernambuco (UEP) fará uma jornada de lutas no dia 14/11. No Rio Grande do Sul, o DCE da Universidade de Caxias do Sul promoverá atividade nos dias 17 e 18/11. Já No Rio de Janeiro, a UNE participa do I Fórum da Educação Superior, promovido pelo Sindicato dos Professores (Sinrpo-RJ), em parceria com a Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (FETEERJ).

5ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UNE

Sobre o maior festival universitário do país, o informe veio do diretor de cultura da entidade, Gustavo Viana. Ele disse que a secretaria da Bienal, instalada no DCE da UFRJ, está em pleno funcionamento e que a fase atual é de preparativos finais e acertos da programação. "Estamos definindo os debatedores, oficineiros e shows, sempre com intuito de aprofundar a discussão do tema "Brasil-África: um Rio chamado Atlântico", que estamos propondo nesta quinta edição", informou.

As inscrições para a 5ª Bienal da UNE estão abertas até o dia 4 de dezembro de 2006. Podem se inscrever estudantes universitários de todo o país interessados em apresentar trabalhos nas áreas de Literatura, Ciência e Tecnologia, Música, Artes Ciências, Arte Visuais e Cinema e Vídeo. Para saber como participar, clique aqui.

Veja abaixo as moções aprovadas na reunião da diretoria executiva da UNE
Moção de solidariedade ao professor Emir SaderA UNE manifesta seu total apoio ao professo Emir Sader frente ao ataque promovido pela direita mais retrógrada desse país. O professor Emir Sader está sofrendo um processo por conta de idéias que defende em seus artigos. A mesma direita que cassou a democracia no Brasil, perseguiu e matou muitas lutadoras e lutadores, que vendeu todo o patrimônio nacional e que não se conforma por ver se construindo no país um projeto democrático e popular quer agora calar uma das mais destacadas vozes da "raça" que eles sonharam se ver livres por "30 anos".

Essa direita proto-facista conseguiu o que nem a ditadura foi capaz: além de cassar os direitos políticos, estão impedindo um cidadão de exercer sua profissão. Precisamos nos somar a indignação contra essa condenação política inconcebível num país democrático. Sabemos que esse é apenas o primeiro passo. Se for vitoriosa nesse processo, a direita antidemocrática não vai parar ai, vai atacar também outros intelectuais, os partidos de esquerda, os movimentos sociais, etc. Aliás, na mesma época em que o senador-ditador proferiu o desejo de ser ver "livre dessa raça por 30 anos" toda a esquerda nesse país sofreu diversos ataques, como o MST sendo acusado de "crimes hediondos" por uma CPI, a UNE sendo caluniada por uma mídia atrelada à direita, etc.

Os Estudantes Brasileiros não tem dúvida em gritar para essa Direita "aloprada": Não Passaram! Toda a Solidariedade ao Professor Emir Sader!
Moção de Apoio à greve dos médicos residentesReclamando o fato de que são estudantes e não mão obra barata, milhares de médicos residentes estão aderindo à paralisação nacional da categoria que teve início na última quarta, 8 de novembro. As reivindicações dos residentes são reajuste salarial, redução da jornada de até 100 horas por semana e a regulamentação da residência médica. A UNE presta apoio à paralisação dos médicos residentes, que estão no seu pleno direito de reivindicar aumento na bolsa, que não acontece há cinco anos, e melhores condições de trabalho.
Moção de repudio à perseguição política ao movimento estudantil na Faculdade Jorge AmadoEm nota emitida no dia 23 de outubro de 2006, a direção das Faculdades Jorge Amado (FJA) notificou um ex-estudante a "se abster de comparecer à instituição", acusando-o de "praticar atos de perturbação da ordem".

A nota em questão faz menção às legítimas manifestações organizadas pelo movimento estudantil das FJA, entre 19 e 21 de setembro de 2006, através das quais reivindicava, entre outras coisas, a não-demissão de professores que haviam sido demitidos dias antes, vítimas de perseguição política.

A UNE repudia a tentativa da direção das FJA de constranger e ameaçar os estudantes e ex-estudantes das FJA, e declara seu apoio às justas reivindicações e às lutas do movimento estudantil dessa instituição.
Moção de solidariedade ao diretor da UNE Rafael PiresFace ao processo de crime contra o patrimônio público aberto pela Sttrans (João Pessoa/PB) contra o diretor da UNE Rafael Pires, a UNE declara sua solidariedade a ele e reivindica o imediato arquivamento do processo.

A UNE reconhece a manifestação contra o aumento de passagens ocorrida em 2005, da qual seu diretor participou, e repudia a tentativa de perseguição política contra ele, na forma deste absurdo processo.
Moção contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo A imprensa vem divulgando que as tarifas do sistema de transporte público vão aumentar. Por acreditar que o transporte público é um direito básico para o livre deslocamento da população, a UNE manifesta ser contraria ao aumento da passagem.

Nesse sentido, para dar conseqüência política a essa moção, a UNE se alia aos comitês organizados pelos MPL´s de São Paulo e ABC-paulista, UMES, UEE-SP, UPES e UBES na luta contra o aumento da passagem.
Moção pela reorganização do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública e pela realização do VI Congresso Nacional de Educação (Coned), no primeiro semestre de 2008
Em 2011, o Plano Nacional de Educação (PNE) deve expirar. Um novo PNE deve ser discutido, elaborado e aprovado. Esse processo demanda tempo e devera se iniciar já em 2007. Do mesmo modo, outras iniciativas de políticas educacionais devem voltar ao centro dos debates nos próximos meses, tais como a reforma universitária, a implementação das cotas nas universidades federais, dentre outros, e o cenário e de profunda indefinição.

Ciente da necessidade de reorganizar o movimento social de educação em prol da luta em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade como um direito de todos e um dever do estado, a UNE se dirige a todas as entidades que compõem o Fórum Nacional em Defesa da Escola Publica (Fondep) no sentido de reorganizar este importante espaço.

No mesmo sentido, a UNE propõe a realização do VI Congresso Nacional de Educação (Coned), no primeiro semestre de 2008, a fim de atualizar e consolidar o Plano Nacional de Educaçao – proposta da sociedade brasileira.
Moção de apoio aos técnicos da UnicampA UNE apóia a luta dos trabalhadores técnicos da Unicamp contratados via Funcamp, ameaçados de demissão pela Reitoria da Unicamp em virtude da nulidade dos contratos de trabalho:- Contra qualquer demissão!- Em defesa dos postos de trabalho.- Pelo fim imediato das contratações via Funcamp.- Pela abertura de concurso públicoMoção de saudação ao CA da UNP-RNA UNE, reunida em sua diretoria Executiva, saúda a nova gestão do Centro Acadêmico de Direito da UNP-RN, e deseja que o alto grau de participação estudantil no processo eleitoral de 1400 votantes seja traduzido em participação e luta por um mundo mais justo. Principalmente, a UNE se coloca como parceira da luta dos estudantes do Rio Grande do Norte.

Da Redação do vermelho - www.vermelho.org.br

terça-feira, 7 de novembro de 2006

UNE lança campanha "Nosso Futuro não Está em Liquidação!"

O mês novembro será de intensas mobilizações dos estudantes em todo o Brasil. Eles vão protestar pela redução de mensalidades, contra a mercantilização da educação e pela aprovação do Projeto de Lei de Mensalidades - o PL da UNE.
Cartaz da campanha

Está aberta a temporada de caça aos tubarões de ensino! No mês de novembro a União Nacional dos Estudantes (UNE) convoca todos os universitários do país para uma mobilização nacional contra a mercantilização do ensino superior no país, pela redução de mensalidades e a aprovação do Projeto de Lei das Mensalidades, conhecido como PL da UNE.

Durante todo o mês, a campanha "Nosso futuro não está em liquidação" tomará as ruas e universidades do país - encampada pelo movimento estudantil por meio de abaixo-assinados, adesivos, panfletos e cartazes - para levar ao conhecimento da sociedade os abusos nos reajustes das mensalidades e outras irregularidades cometidas pelas instituições particulares de ensino.

O presidente da UNE, Gustavo Petta, alerta para um "velho truque" que algumas instituições, agindo de má fé, cometem nesse período das rematrículas. "Elas aproveitam as férias escolares para realizar aumentos abusivos, acima da inflação, e quando o estudante percebe, já foi lesado e encontra pela frente uma série de dificuldades para conseguir o ressarcimento", lembra.

O objetivo da campanha também é cobrar uma maior responsabilidade destes estabelecimentos com a qualidade do ensino e mais investimentos em pesquisa e extensão. Hoje, as faculdades privadas não chegam a corresponder nem com 5% da pesquisa científica produzida no Brasil.

Outra bandeira levantada pelos estudantes será fazer pressão junto aos parlamentares para que o Projeto de Lei de Mensalidades (conhecido como PL da UNE), em tramitação no Congresso Nacional, seja colocado na pauta de prioridades dos deputados e senadores.

Desnacionalização do ensino superiorPara Petta, a exploração comercial da educação superior é um equívoco imposto hoje ao ensino brasileiro. "Sem a regulamentação, com restrição ao capital estrangeiro, corremos o risco de ter uma desnacionalização da educação superior", avalia. Petta acredita que as investidas das grandes corporações internacionais e de países como os EUA visam a compra das universidades brasileiras e a inclusão da educação nos Acordos Gerais de Comércio e Serviços da Organização Mundial do Comércio. "Tratam o ensino como se fosse mais um produto a entrar no atacado mundial", observa.

O 2º Vice-Presidente da UNE, Josué Medeiros, critica o governo FHC. "A verdade é que no governo FHC o ensino pago se espalhou sem nenhuma regra, apenas visando o lucro. Mas nós estudantes já dissemos basta e não vamos parar enquanto não acabarmos com as farras das mensalidades que aumentam acima de inflação e com a falta de democracia nas instituições privadas, que impedem o pleno desenvolvimento do estudante", protesta.

O diretor de Políticas Educacionais da UNE, Antonio Davi, também faz críticas à política educacional do tucano. "A política irresponsável dos últimos governos permitiu a expansão sem critério e controle do ensino privado em nosso país em detrimento da expansão da educação púbica", diz. Para ele, o resultado desta medida são altas taxas de evasão e profundas deficiências na formação.

"É preciso avançar na defesa destes estudantes, o que só é possível com organização, mobilização e enfrentamento aos interesses dos tubarões de ensino. As bandeiras erguidas pela campanha da UNE, como redução de mensalidades e garantia incondicional de rematrícula dos estudantes inadimplentes, são partes indissociável dessa luta", defende.

PL da UNEA UNE apresentou ao Congresso Nacional, em novembro de 2005, o Projeto de Lei (PL) 6489/06, que visa implementar medidas de controle e fiscalização dos aumentos das mensalidades nos estabelecimentos de ensino pré-escolar, fundamental, médio e superior.

Dentre alguns pontos do PL da UNE, está o condicionamento dos reajustes das mensalidades à discussão com pais e alunos (condicionado a instalação de uma comissão constituída de forma paritária pelos representantes das instituições, das entidades estudantis, e dos docentes) e a proteção ao inadimplente, impedindo seu desligamento.

Outra reivindicação da UNE é que o anúncio do aumento seja divulgado 120 dias antes do encerramento da matrícula (atualmente são 40 dias), acabando com o velho truque das instituições de divulgar os abusos durante o período de férias, sem chance que o aluno planeje sua negociação e até mesmo sua resistência jurídica.

Campanha nos estadosA idéia da campanha "Nosso Futuro não está em liquidação" é construir uma mobilização nacional para fortalecer a pressão social. A UNE acredita que somente nessas condições será possível modificar o cenário que hoje é ditado pelo grande lobby do setor empresarial no Congresso Nacional.

Para construir a campanha em seu estado, procure o centro acadêmico ou diretório central dos estudantes de sua instituição. Para divulgar os materiais, basta baixá-los (cartazes, panfletos e adesivos) pelo site da UNE e reproduzi-los livremente.

veja mais em Estudantenet

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

"Juventude e Desenvolvimento nacional" - por Manuela d´Ávila



Para grande parte das pessoas pode parecer óbvio, chato ou repetitivo um texto sobre juventude. Mas a realidade brasileira exige que tratemos de maneira séria 33 milhões de brasileiros (ou o equivalente a população da Argentina inteira, se preferirem). É fundamental para pensarmos o Brasil incluirmos milhares de jovens no projeto de desenvolvimento nacional.

O governo do presidente Lula passou a reconhecer a existência de jovens no Brasil. "- Ah! Agora essa comunista vai dizer que o Lula inventou a juventude", diria um tucano apressado. Não, Lula não inventou, é óbvio. Mas pela primeira vez na história do Brasil temos um governo que trabalha com políticas transversais especificamente para esse parcela. A Secretaria Nacional, o Conselho de Políticas Públicas para a juventude, Projovem, Escola de Fábrica, Consórcio Social da Juventude, Pontos de Cultura são provas dessas políticas. É preciso mais.

Como tenho a convicção, a alegria de saber que Lula será mais uma vez presidente do Brasil, ouso dizer que é hora de pensarmos o papel da juventude no processo do crescimento econômico e desenvolvimento soberano do Brasil. Três ações do atual governo devem ser aprofundadas para isso: a ampliação das escolas técnicas, a ampliação, democratização e descentralização das universidades federais e o PROUNI (e depois alguém vem querer traçar paralelos entre o nosso governo e o deles... FH e Paulo Renato fizeram o decreto que proibia novas técnicas, diminuíram os investimentos para as públicas, tratavam autonomia como cobrança de mensalidades e desregulamentaram completamente o ensino superior privado). O principal desafio é fazer com que a juventude tenha como principal tarefa estudar. "- Ah! Essa comunista agora vem dizer que jovem não deve trabalhar", pensaria mais uma vez o tucano apressado esquecendo que os filhos da classe média já têm o estudo como centro de suas vidas, submetendo o trabalho, o estágio, os cursos profissionalizantes aos seus horários de aula.

Colocar a disposição, a capacidade criativa, a ousadia, a curiosidade da juventude dentro das escolas técnicas e universidades é a possibilidade que temos de garantir produção de novos conhecimentos, de inovação tecnológica para o Brasil. Todos os países que têm índices extremamente positivos de crescimento econômico tiveram um crescimento significativo de estudantes nas universidades. China e Coréia do Sul são provas disso. Portanto, é importante eliminar na juventude as contradições da educação com necessidade de trabalho e problemas sociais (criando programas específicos de formação profissional, oportunizando o 1º emprego, garantindo uma nova escola, prevenindo a gravidez indesejada etc).

Mas é fundamental sabermos onde queremos chegar com isso. Mais ensino técnico e superior, mais investimentos naqueles que existem, mais democracia no acesso, mais condições de permanência para os estudantes, mais professores e técnicos concursados, mais conhecimento produzido, mais crescimento econômico e distribuição de renda. E a juventude alegre, com sua força e garra, contribuindo para vermos a cara do novo Brasil: desenvolvido, soberano, independente.

* Manuela d’Ávila, 25, é ex-diretora da UNE, vereadora em Porto Alegre desde 2005 e deputada federal eleita** Artigo publicado originalmente no Blog do Noblat

Rebeldia conseqüente: UBES comemora 25 anos de reconstrução



Juventude.

Nem é preciso mais do que essas nove letras para entender o que sentia o secundarista Édson Luís naquele março de 1968, quando virou mártir dos estudantes e da sociedade brasileira na resistência contra o regime militar após ser assassinado. Com essa palavra se entende todas outras do jovem Apolinário Rebelo discursando para a multidão que pedia as "Diretas Já" no país.
Certamente, foi por meio dessa palavra que Mauro Panzera, um dos líderes estudantis dos "cara-pintadas" no Fora-Collor, chegou à frase: "A UBES é uma rebeldia conseqüente"



Nessa terça (31), a rebeldia juvenil brasileira comemora. Há exatos 25 anos, em 1981, estava renascendo a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, a UBES, após décadas de opressão da ditadura, quando todas representações dos jovens foram violentamente extintas.

A sede da UBES e também da UNE foi invadida e incendiada já no dia primeiro de abril de 1964, mostrando a determinação mais do que imediata daquele golpe em combater a juventude. O jornalista e escritor Arthur Poerner, em seu livro "O Poder Jovem", descreve assim aquela ação: "Um paroxismo de ódio que escapa o terreno puramente político para cair na esfera psiquiátrica".
Seguiram-se décadas de perseguições, torturas e todas as formas possíveis de cerceamento ao movimento estudantil. A morte do secundarista Édson Luis aconteceu no auge da repressão, o ano de 1968. Curiosamente, ficou este marcado como o ano da juventude em todo o mundo.

Somente em 1981 com o enfraquecimento dos militares, a UBES conseguiu se reerguer. A consolidação aconteceu com muito esforço, em Curitiba. Um antigo galpão, sem teto, banheiros, salas e cadeiras, serviu de base para as discussões. No local, apenas muita poeira. Muitos estudantes foram para o sul do país sem dinheiro para voltar. Pedágios foram armados para levantar recursos. A polícia chegou a invadir o Congresso com a cavalaria. Mesmo com tantas dificuldades, a UBES renasceu.

Desafios ainda urgentes
Atualmente, 25 anos após a sua reconstrução, a UBES ampliou suas bandeiras e encontra outros desafios, diferentes daqueles da ditadura, mas ainda urgentes. É o que explicou o mineiro Thiago Franco, atual presidente da entidade, após assumir no início do ano: "A UBES representa hoje 55 milhões de estudantes, num país com diferenças de desenvolvimento regionais, com fortes contrastes entre o interior e a capital, com uma rede escolar diversificada (a escola pública – municipal, estadual e federal -, a privada, a técnica). Então, as dificuldades são várias".

Representar os interesses dos jovens mesmo em tempos democráticos não é tarefa fácil. Algumas das principais bandeiras da UBES atualmente são a implementação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Básico); o Passe Estudantil para garantir o acesso dos estudantes ao transporte público, evitando a evasão escolar; a meia-entrada para estudantes em eventos culturais e a reserva de vagas em universidades federais para alunos da rede pública.

A ampliação do debate nas escolas brasileiras e o fortalecimento dos grêmios também são prioridades. "O problema do bebedouro ou do giz que falta, ou a greve dos professores que estão sem salário digno estão relacionados com a política estadual, municipal, a política educacional do país", lembra Thiago.
Hoje, já reconstruída e sólida, a UBES também participa da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), o que, segundo Thiago, foi uma grande conquista. "As entidades representativas entraram num entendimento de que era necessário jogar um maior papel, fomentando a mobilização do povo brasileiro pelas mudanças", diz.

Entrevista com ex-Presidentes
Em comemoração aos 25 anos da reconstrução da UBES, o portal EstudanteNet está entrevistando ex-presidentes de diferentes períodos de 81 até aqui. Confira as entrevistas já publicadas de Apolinário Rebelo/1983, Delcimar Pires/ 1984, Joel Benin/1993, e Juana Nunes/1998

Da Redação - www.une.org.br

Movimento estudantil sai fortalecido das eleições

O movimento estudantil foi uma das instituições mais coerentes e organizadas no processo eleitoral que terminou no último domingo (29) e decidiu os representantes da população pelos próximos quatro anos. Desde o início do debate público sobre os rumos do país, a UNE e a Ubes chamaram os jovens para a discussão e com responsabilidade cobraram dos próximos governantes o compromisso com as bandeiras dos estudantes.

Para o presidente da UNE, Gustavo Petta, a entidade mostrou durante todo o processo eleitoral que soube ser firme na defesa de um projeto de nação que levasse em conta a construção de um país mais justo e soberano. "Os estudantes avaliaram durante os nossos fóruns de discussão as melhores propostas para o futuro do Brasil. E foi dessa forma que soubemos nos posicionar diante da grande polarização que ocorreu nestas eleições. Agora, vamos para as ruas cobrar do presidente, deputados e governadores eleitos o compromisso com as nossas reivindicações", diz.

A Vice-presidente da UNE, Louise Caroline, endossa a opinião de Petta. Ela reforça o importante papel das entidades estudantis e diz que quando a disputa se acirrou a UNE soube se posicionar: "Do lado das idéias progressistas, que colocavam como prioridade a defesa do patrimônio nacional, a distribuição de renda e a justiça social", afirma.

O próximo passo? Para Louise o lugar da UNE é na rua, e na articulação para reforçar a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). "É necessário agora uma ofensiva de massa, com os estudantes nas ruas, junto aos movimentos sociais, para cobrar uma ampliação das políticas públicas e um governo mais de esquerda", diz.
Para a diretora de Relações Internacionais da UNE, Lucia Stumpf, o movimento estudantil sai fortalecido após mais uma eleição em regime democrático – a quinta após o fim da ditadura militar – e com condições de se articular com independência: "Não só os estudantes, mas todos os movimentos sociais saem fortalecidos, porque pregaram o voto consciente, construíram junto com a sociedade uma opinião", ressalta.

Coneb e Projeto Brasil
O debate dos estudantes em relação ao seu posicionamento nas eleições de 2006 começou em abril, com o 11º Conselho Nacional das Entidades de Base (CONEB), realizado na Universidade de Campinas (Unicamp). Nessa ocasião, mais de 3.000 Centros e Diretórios Acadêmicos de todo o Brasil definiram a preparação de uma plataforma eleitoral com pontos que o movimento estudantil considera indispensável para a construção de um projeto de desenvolvimento. Daí, foi elaborado o "Projeto UNE Brasil".
Comprometidos em resistir às candidaturas de caráter neoliberal, os estudantes entregaram o documento com suas reivindicações aos principais candidatos à presidente durante o primeiro turno das eleições, que defendiam em seus programas de governo idéias progressistas.

Voto nulo e MTV
Ao longo das eleições, a UNE e a Ubes reforçaram a importância da participação política do jovem. As entidades se posicionaram contra o voto nulo, defendido por alguns setores da sociedade e por meio da internet, em e-mails e comunidades do orkut.
As entidades também rejeitaram a manifestação de alguns órgãos de comunicação, como a MTV, que em uma propaganda veiculada à exaustão sugeria uma certa despolitização da juventude, rejeitando o debate e propagando uma ofensiva vazia contra a classe política. A emissora receitou ao seu público que se armassem, ao invés de idéias, com ovos e tomates.
"A juventude é quem mais sofre os efeitos imediatos das condições do Brasil, por isso ela se interessa pela política", afirma Lúcia. Na sua opinião, o jovem está politizado, buscando formas de participação mais ativa na vida pública e mais inclusão: "A violência atinge primeiro os jovens, a falta de empregos, a falta de vagas nas universidades. A juventude tem opinião para modificar sua realidade".

Alckmin Não!
No segundo turno das eleições, com a polarização entre o candidato tucano e Luiz Inácio Lula da Silva, a UNE e a Ubes decidiram lançar a campanha "Alckmin não!", em oposição à volta dos partidos de direita ao poder. A campanha foi divulgada no portal EstudanteNet, onde os estudantes puderam ler as suas resoluções e baixar o material de divulgação.
A transparência desse posicionamento, na opinião de Lúcia, permitiu a credibilidade da representação estudantil: "A UNE desde o começo não decidiu por nenhuma candidatura, garantindo a seus diretores apoiarem individualmente qualquer projeto que quisessem", afirma.
Sobre a perda de votos do candidato tucano, Louise avalia que a população, no momento da decisão, teve a clareza da diferença de projetos em disputa. "Alckmin perdeu votos porque o seu projeto para o Brasil era de privatizações e sucateamento da educação", frisa.

Futuro
Segundo a diretora da UNE, nos próximos quatro anos o movimento estudantil continuará reivindicando as mudanças que julga necessárias. "Os estudantes vão pedir que a política econômica mude, no sentido de conseguir mais investimento na área social, mudanças com mais intensidade na área da educação, mais vagas na universidade pública, no Prouni, etc. Desde o dia da eleição passando por todo próximo governo, o movimento estudantil vai estar mais mobilizado ainda", diz.
Segundo Lúcia, o resultado democrático das urnas apenas altera os caminhos que o movimento estudantil precisa seguir para conquistar seus objetivos: "Se tivesse ganho um projeto neoliberal, os estudantes teriam uma postura de resistência ao desmonte do país. Com a eleição de um governo progressista, vamos nos mobilizar por mais qualidade e intensidade nas mudanças", conclui.

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