quarta-feira, 1 de novembro de 2006

"Juventude e Desenvolvimento nacional" - por Manuela d´Ávila



Para grande parte das pessoas pode parecer óbvio, chato ou repetitivo um texto sobre juventude. Mas a realidade brasileira exige que tratemos de maneira séria 33 milhões de brasileiros (ou o equivalente a população da Argentina inteira, se preferirem). É fundamental para pensarmos o Brasil incluirmos milhares de jovens no projeto de desenvolvimento nacional.

O governo do presidente Lula passou a reconhecer a existência de jovens no Brasil. "- Ah! Agora essa comunista vai dizer que o Lula inventou a juventude", diria um tucano apressado. Não, Lula não inventou, é óbvio. Mas pela primeira vez na história do Brasil temos um governo que trabalha com políticas transversais especificamente para esse parcela. A Secretaria Nacional, o Conselho de Políticas Públicas para a juventude, Projovem, Escola de Fábrica, Consórcio Social da Juventude, Pontos de Cultura são provas dessas políticas. É preciso mais.

Como tenho a convicção, a alegria de saber que Lula será mais uma vez presidente do Brasil, ouso dizer que é hora de pensarmos o papel da juventude no processo do crescimento econômico e desenvolvimento soberano do Brasil. Três ações do atual governo devem ser aprofundadas para isso: a ampliação das escolas técnicas, a ampliação, democratização e descentralização das universidades federais e o PROUNI (e depois alguém vem querer traçar paralelos entre o nosso governo e o deles... FH e Paulo Renato fizeram o decreto que proibia novas técnicas, diminuíram os investimentos para as públicas, tratavam autonomia como cobrança de mensalidades e desregulamentaram completamente o ensino superior privado). O principal desafio é fazer com que a juventude tenha como principal tarefa estudar. "- Ah! Essa comunista agora vem dizer que jovem não deve trabalhar", pensaria mais uma vez o tucano apressado esquecendo que os filhos da classe média já têm o estudo como centro de suas vidas, submetendo o trabalho, o estágio, os cursos profissionalizantes aos seus horários de aula.

Colocar a disposição, a capacidade criativa, a ousadia, a curiosidade da juventude dentro das escolas técnicas e universidades é a possibilidade que temos de garantir produção de novos conhecimentos, de inovação tecnológica para o Brasil. Todos os países que têm índices extremamente positivos de crescimento econômico tiveram um crescimento significativo de estudantes nas universidades. China e Coréia do Sul são provas disso. Portanto, é importante eliminar na juventude as contradições da educação com necessidade de trabalho e problemas sociais (criando programas específicos de formação profissional, oportunizando o 1º emprego, garantindo uma nova escola, prevenindo a gravidez indesejada etc).

Mas é fundamental sabermos onde queremos chegar com isso. Mais ensino técnico e superior, mais investimentos naqueles que existem, mais democracia no acesso, mais condições de permanência para os estudantes, mais professores e técnicos concursados, mais conhecimento produzido, mais crescimento econômico e distribuição de renda. E a juventude alegre, com sua força e garra, contribuindo para vermos a cara do novo Brasil: desenvolvido, soberano, independente.

* Manuela d’Ávila, 25, é ex-diretora da UNE, vereadora em Porto Alegre desde 2005 e deputada federal eleita** Artigo publicado originalmente no Blog do Noblat

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